terça-feira, 18 de agosto de 2009

Leros e projetos

Como não sei prever aquém dos segundos futuros
Jamais teria em família a saudade de tempos de outrora
Nem distantes assim. Mas, já nostálgicos.

Sinto falta dos leros, dos assuntos sem importância
A desimportância dos atos sem resultados impactantes
Na maioria das vezes, sem nenhum resultado mesmo
Além do simples lero mais lero é igual a sorrisos

Sem leros, vamos falando sério. Ou tentando.
Aquela seriedade de criança que acabou de se deitar
E que tem a certeza de que as brincadeiras precisam
De um breve repouso, para se esbaldar num longo
Dia de travessuras, quando se perde, novamente, a
Seriedade. E retoma os leros, que talvez volte a encontrar.
Quem sabe estão por ali, após uma leve cesta.

Desejo também os projetos. Sinto falta deles.
Saudade mínima daqueles que ficaram
No bolso da utopia.


A falta é dos projetos
Que ainda não se apresentaram. Que não vieram
Ao churrasco, nem se sentou para dividir uma
Gelada na mesa de bar. Junto a um gorduroso
Tira-gosto.


Tire a mesa.
Eles devem estar em outro bar.
Pendura aí pra mim!

sábado, 11 de julho de 2009

Já volto

Vou apenas ali, mesmo deitado
Um tour gratuito, tranquilamente. Com
escala em cada sinapse. Tudo isso é
devido a um leve cansaço que me
atingiu ao ficar parado. Vendo as pedras
que choram, vendo quem chora como
pedras. Agi, quando uma emoção,
dessas rochosas, ameaçou vir a
minha direção.

Que seja pelo céu ou pelo mar.
Que seja. O importante é que seja
Mesmo que eu não seja. Isso é o que
Menos importa. Já que nem sei o que
Quero ser. Vou sendo, simplesmente
Sem redundância ou qualquer outra
Classificação que queira fugir das margens
Gramaticais para rotular meu único
Ser. Seja você um ser mais seu.
Assim que eu retornar... sei lá
Realmente, não sei

quinta-feira, 25 de junho de 2009

Desabrochar

Vivias triste,
Ignorando raios de sol.
Não mostrava vida nem banhada com a água divina
Em meio a toda dissonância
Queria notas em bemol

Diante do sorriso das crianças
não revelava suas cores
Escondia um mundo de peripécias
Estampando sua vida, agora, incolor

Quanta dor! Quanto rancor!

Não ouve reza que revertesse
tal momento. Tormento, amargura,
por falta de sincero sentimento
Nem Deus estava no caminho de
suas esperanças.

Uma ansiedade frustrada, como
nessas frases sem rimas
Descarto essa concordância textual,
para compreender a feminina
Não é qualquer água,
Nem qualquer carinho no regar,
É necessário amor para desabrochar
A flor mulher

Que lufada lasciva! Quanto fulgor!

quinta-feira, 19 de março de 2009

Oxigenando

O romantismo está no ar, nos acompanhando. É por onde passa o olhar, o perfume, as palavras, os beijos lançados, os pensamentos mais picantes e os desejos de estar sempre juntos.

quarta-feira, 11 de fevereiro de 2009

Oito no pouso, oitenta no vôo

O céu já não era o mesmo. Até mesmo as flores que nasciam não tinham mais a sua marca. Ela voava distante, mais pra perto de onde nunca fui. Oitenta milhas além da minha imaginação. E eu tinha que continuar caminhando.

Aprendi a ter esperanças. A acreditar, principalmente, no improvável. Não tinha uma foto sua guardada em meu bolso. Mas, carregava em todas as gavetas da memória um momento nosso, e infinitos bater de asas.

Até que os ares foram mudando. O céu foi ganhando novo brilho e o azul vibrava ainda mais forte. O que tinha de verde se alegrou. E o que tinha de água chorou de felicidade, em cachoeiras e pequenas quedas.

A avistei. Estava se aproximando, há oitenta batidas do meu coração. Sentei-me na pedra. Ela pousou ao meu lado, há oito sinônimos do amor. Tão perto, tão mesma, tão decifrável, tão linda.

Aliviou-se ao meu lado, em oito suspiros de alma. Embalei na mesma paz e tornei-me, novamente, carona de sua direção. Repleta de perfume, me levou ao transe. Descobri que dela nascem as rosas, em forma e em cor preferida.

quinta-feira, 8 de janeiro de 2009

A simplicidade da beleza absoluta

Não há expectativas. Ninguém faz apostas enquanto ao sexo. Na verdade, não há quem aguarde ou conte os dias. Nasce fechada. Uma pérola escondida. Prestes a transformar o mundo. Colorir a vida. Enlouquecer pássaros e insetos. Tocar no âmago do coração de uma mulher.

Certo que nem todas preenchem o campo de visão feminino. Residem distante. Crescem predestinadas à natureza. Um amor cigano. Talvez, seja isso que explique a vida auto-sustentável da natureza, e toda a efervescência do meio-ambiente.

Ela se abre. Como se quisesse abraçar o mundo com seus braços sensíveis. Seu perfume desafia o infinito, desfila pelas narinas do Criador e O tonteia. Penso ser o motivo único do mundo permanecer mundo, já que pelo homem nada mais haveria.

Ela está madura. Com as pétalas fortes e irradiantes. Ostentando cores que o universo não consegue se caracterizar. Durante a noite, faz estrelas se debruçarem na parede da escuridão, direcionando sua luz para ver o que nenhuma constelação proporcionaria.

Linda flor. Beleza absoluta. A prova de que o encanto dispensa palavras e todos os seus efeitos. Vive em uma graça breve. Dentro do tempo de quem se sacrificaria para alterar a biologia e vir a conquista-la. Infinita. Diante da reencarnação de seu religioso pólen.

quarta-feira, 7 de janeiro de 2009

Procurando o remanso

Após tantos big bangs, caço agora cantos de pássaros,
Som de cachoeiras e um grande remanso.

Quero, preguiçosamente, ver o casulo transformar-se em
Borboleta. Ser testemunha do nascimento e do óbito das
Flores.

Comparar a intensidade dos verdes. Identificar terras
Férteis. Buscar o silêncio. A observação absoluta.

Tenho evitado algumas ações, para não ter contato
Com as reações. Puxo a cadeira e sento no canto.

Não reclamo das rotineiras injustiças, nem da péssima
Escalação do meu time.

Só abri exceção para a reconciliação com meu violão.
Apenas.

Em sendo assim, vou nadando. Beirando o peito no fundo
Do leito. Hospedando o oxigênio no pulmão.

Volto logo. Até a próxima explosão.